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segunda-feira, 21 de março de 2011

Forte de Coimbra: Camalotão, o clube recreativo do meio do Pantanal!

Por Luiz Eduardo Silva Parreira


Forte de Coimbra é um destacamento militar do Exército Brasileiro, distante cerca de 100 quilômetros de Corumbá, às margens do Rio Paraguai, à jusante dele. Existe desde 1775 (!) e tem muita história para contar, as quais aos poucos iremos retomar, passando, inicialmente e preferencialmente, por fatos pouco lembrados, mas não menos importantes. Desde 1992 a unidade militar que administra o Forte de Coimbra é da arma de Infantaria, hoje a 3ª Companhia de Fronteira/Forte Coimbra (3ªCiaFron/FC). Antes era um quartel de Artilharia, sede da 1ª Bateria do 6º Grupo de Artilharia de Costa do Exército Brasileiro (1ª/6º GACos)





Em meados dos anos 2000, o Exército Brasileiro pretendeu retirar os moradores civis do aldeamento adjacente à fortificação (em razão da MP335/2006). Um assunto que mexeu com a sociedade sul-mato-grossense por conta da remoção, de uma hora para outra, de dezenas de pessoas que, morando junto ao forte por gerações, se viam obrigadas a deixar suas casas para serem enviadas para locais que ninguém sabia explicar aonde seria! Mas ao final reinou o bom senso e resolveu-se pela permanência delas na região.


População da vila de Forte de Coimbra, em 1979, quando das Missões Redentoristas da Igreja Católica Apostólica Romana. Arquivo de José Lourenço Parreira.


Interessante notar que foi uma medida governamental completamente diferente da política que existiu no Brasil no século XX. Lá, pretendia-se a ocupação e fixação de populações nas fronteiras afastadas do país e Forte de Coimbra era um desses pontos. Desde a década de 30, o povoado do Forte de Coimbra recebeu melhoramentos constantes para fixação de pessoal civil e militar na região, cujas histórias serão contadas em outros posts.


Vila adjacente ao Forte de Coimbra. Fotografia tirada entre as décadas de 30 e 40 do século XX.
Arquivo pessoal Luiz Eduardo Silva Parreira.


De se lembrar que era uma época pré-internet, sem TV a cabo via satélite nem telefonia celular. Significa dizer que viver em Forte de Coimbra  no século XX era estar distante e isolado de tudo no Brasil e no mundo.

No início da década de 70 comandava do Forte de Coimbra o Major de Artilharia PQD (n.º. 4307) Walkyr Serrano de Andrade. Sem ordem de Comando algum, ordena a construção de três prédios na localidade com a finalidade de melhorar a vida da população civil e militar que ali vivia: um armazém, que serviria de supermercado; um clube, o Camalotão; um colégio de 2º grau, o Ricardo Franco.

Os três prédios foram construídos bem próximos da margem do rio Paraguai. Segundo os dados que se tinha da região, as cheias pantaneiras não costumavam atingir aquela área e por serem próximas da vila, atingiriam o desiderato de servirem à comunidade.

Vista leteral do armazém de Forte de Coimbra.
Arquivo pessoal de José Lourenço Parreira.


O Camalotão passou a ser o centro das festividades da vila do Forte de Coimbra. Tudo se comemorava lá: dia das mães, carnaval, bailes, etc. Até cinema era proporcionado! Segundo depoimento do Capitão José Lourenço Parreira, obtinham-se rolos de filmes vindos de Assis (SP) em Campo Grande, por meio da Irmandade Nossa Senhora do Carmo (INSC), que eram projetados pelo Sargento Coleta, em certos finais de semana, para os moradores.

Comemoração do Dia das Mães no Camalotão. Vê-se na fotografia a diretora da escola Ludovina Portocarrero (1º grau), Professora Nilze Silva Parreira, o mestre de cerimônias, Sargento Iano e a senhora Maria Nilva, esposa do então sub-comandante do Forte de Coimbra, Major Nogueira, em 1975. 
Arquivo pessoal de José Lourenço Parreira.


O nome Camalotão não era oficial, mas oficioso, dado pela soldadesca. Era em alusão à planta Eichhornia crassipeque desce aos montes pelo rio Paraguai.


Detalhe da entrada do Camalotão. Quando das enchentes a água chegava na altura das suas janelas.
Arquivo pessoal de José Lourenço Parreira.


Em 1974 houve a primeira grande cheia do Pantanal sul-mato-grossense e as águas tomaram conta da área onde ficava o armazém, o Camalotão e o colégio Ricardo Franco (que também receberá um post só seu). 

O armazém, o Camalotão e o Colégio Ricardo Franco, todos inundados pelas águas do rio Paraguai.
Arquivo pessoa José Lourenço Parreira.



Outra foto do armazém e à esquerda, da lancha Cmte. Balduíno antes do acidente de 30/04/1983, quando ainda tinha dois andares (haverá um post só sobre as lanchas do Forte de Coimbra). A partir do acidente a lancha passou a possuir apenas um pavimento. Arquivo de José Lourenço Parreira.

Por óbvio que armazém e água não combinam e logo a utilidade do prédio deixou de existir e ele foi demolido, restando o clube e o colégio. A partir daquele ano, todos os anos as águas tomaram parte da vila do Forte de Coimbra e sempre cobria os prédios remanescentes.

Fotografia que mostra o armazém demolido.
Arquivo pessoal de José Lourenço Parreira.

Outra vista do Camalotão sob as águas, mas já sem a presença do armazém.
Notar a altura que a água do rio Paraguai atinge o Camalotão.
Arquivo pessoal de José Lourenço Parreira.

Porto da vila de Forte de Coimbra, em 1979. Grupo da Missão Redentorista da Igreja Católica Apostólica Romana. Em destaque, o Padre Pelaquim. Ao fundo, o Camalotão sob as águas do rio Paraguai. Arquivo de José Lourenço Parreira.


Anos depois, uma chata (embarcação) que carrega minério abalroou o Camalotão, destruindo-o parcialmente, o que fez com que se decidisse por sua demolição total. Durou cerca de 10 anos, de 1973 a cerca de 1983.


Uma chata como esta, segundo a tradição oral coimbrense, acertou o Camalotão,  culminando na sua demolição. Foto: Panorâmico de almiro44.


Hoje, quase 30 anos depois de seu erguimento, não restam quaisquer sinais da existência desses prédios em Forte de Coimbra, apenas fotografias e lembranças de uma época em que se vislumbrou levar um pouco mais de conforto e cultura àqueles que lá viviam.


Locais aproximados onde ficavam os prédios na região da vila do Forte de Coimbra.

Ângulo em que é possível ver onde ficavam o Camalotão e os demais prédios.
Foto: Panorâmico de almiro44.


Percebe-se por esta vista que nenhum sinal resta de nenhum dos prédios quase 30 anos depois de sua construção. Foto: bagrinho.


Atualizado em 23/03/2011.
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Caro leitor, Caso tenhas alguma foto ou história sobre o Forte de Coimbra. Ou então reconheça alguém numa fotografia, por favor, compartilhe conosco! Nos escreva e cite este update para que possamos manter viva a história contemporânea do Forte de Coimbra. Envie para silvaparreira@gmail.com.
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sábado, 12 de março de 2011

66 anos depois de Hiroshima e Nagasaki, Okuma pode ser vítima de radiação com o possível vazamento da usina de Fukushima.


Japanese officials are cautioning that a nuclear meltdown may occur at the Fukushima Daiichi nuclear power plant near the town of Okuma. According to Japan’s Jiji Press, some of the reactor’s nuclear fuel rods were briefly exposed to the air after the reactor’s water levels dropped through evaporation. 

A fire engine is currently pumping water into the reactor and the water levels are recovering, according to an operator of the Tokyo Electric Power Co. (TEPCO), which operates the plant. A TEPCO spokesman said the company believes the reactor is not melting down or cracking and that workers are currently attempting to raise the water level.

If a meltdown takes place — essentially the core of the reactor overheating and damaging the fuel rods themselves — it would be the first since the Chernobyl disaster in 1986 and the Three Mile Island incident in 1979.


The on-site diesel backup generators also shut down about an hour after the event, leaving the reactors without power and thus without the ability to cool down the core. Japanese officials were operating the cooling system via battery power and were flying in batteries by helicopter to keep the temperature regulated, and TEPCO said early March 12 that it has installed a new mobile generator at the plant to enable the cooling system to operate even after the batteries are exhausted.

An unchecked rise in temperature could cause the core to essentially turn into a molten mass that could burn through the reactor vessel. This may lead to a release of an unchecked amount of radiation into the containment building that surrounds the reactor. This building could be breached if enough pressure builds, or, in this case, if the containment building was already breached through the earlier effects of the earthquake.

At the moment, it would appear that Japanese authorities are still trying to contain the reaction inside the reactor. That indicates that the core has not completely melted and that the reaction has not yet gotten out of hand. However, the situation could quickly become uncontrollable and the added water being pumped into the reactor could rapidly evaporate if the temperatures rise too quickly to be cooled off.




quarta-feira, 9 de março de 2011

How a Libyan No-fly Zone Could Backfire

8/03/2011 - Calls are growing for a no-fly zone over Libya, but a power or coalition of powers willing to enforce one remains elusive. In evaluating such calls, it is useful to remember that in war, Murphy’s Law always lurks. What can go wrong will go wrong, in Libya as in Iraq or Afghanistan.

By George Friedman


Complications to Airstrikes


It has been pointed out that a no-fly zone is not an antiseptic act. In order to protect the aircraft enforcing the no-fly zone, one must begin by suppressing enemy air defenses. This in turn poses an intelligence problem. Precisely what are Libyan air defenses and where are they located? It is possible to assert that Libya has no effective air defenses and that an SEAD (suppression of enemy air defenses) attack is therefore unnecessary. But that makes assumptions that cannot be demonstrated without testing, and the test is dangerous. At the same time, collecting definitive intelligence on air defenses is not as easy as it might appear — particularly as the opposition and thieves alike have managed to capture heavy weapons and armored vehicles, meaning that air defense assets are on the move and under uncertain control.



Therefore, a no-fly zone would begin with airstrikes on known air defense sites. But it would likely continue with sustained patrols by SEAD aircraft armed with anti-radiation missiles poised to rapidly confront any subsequent threat that pops up. Keeping those aircraft on station for an extended period of time would be necessary, along with an unknown number of strikes. It is uncertain where the radars and missiles are located, and those airstrikes would not be without error. When search radars and especially targeting radars are turned on, the response must be instantaneous, while the radar is radiating (and therefore vulnerable) and before it can engage. That means there will be no opportunity to determine whether the sites are located in residential areas or close to public facilities such as schools or hospitals.

Previous regimes, hoping to garner international support, have deliberately placed their systems near such facilities to force what the international media would consider an atrocity. Libyan leader Moammar Gadhafi does not seem like someone who would hesitate to cause civilian casualties for political advantage. Thus, the imposition of a no-fly zone could rapidly deteriorate into condemnations for killing civilians of those enforcing the zone ostensibly for humanitarian purposes. Indeed, attacks on air defenses could cause substantial casualties, turning a humanitarian action into one of considerable consequence in both humanitarian and political terms.


Airstrikes vs. Ground Operations


The more important question is what exactly a no-fly zone would achieve. Certainly, it would ground Gadhafi’s air force, but it would not come close to ending the fighting nor erode Gadhafi’s other substantial advantages. His forces appear to be better organized and trained than his opponents, who are politically divided and far less organized. Not long ago, Gadhafi largely was written off, but he has more than held his own — and he has held his own through the employment of ground combat forces. What remains of his air force has been used for limited harassment, so the imposition of a no-fly zone would not change the military situation on the ground. Even with a no-fly zone, Gadhafi would still be difficult for the rebels to defeat, and Gadhafi might still defeat the rebels.

The attractiveness of the no-fly zone in Iraq was that it provided the political illusion that steps were being taken, without creating substantial risks, or for that matter, actually doing substantial damage to Saddam Hussein’s control over Iraq. The no-fly zone remained in place for about 12 years without forcing change in Saddam’s policies, let alone regime change. The same is likely to be true in Libya. The no-fly zone is a low-risk action with little ability to change the military reality that creates an impression of decisive action. It does, as we argue, have a substantial downside, in that it entails costs and risks — including a high likelihood of at least some civilian casualties — without clear benefit or meaningful impact. The magnitude of the potential civilian toll is unknown, but its likelihood, oddly, is not in the hands of those imposing the no-fly zone, but in the hands of Gadhafi. Add to this human error and other failures inherent in war, and the outcome becomes unclear.

A more significant action would be intervention on the ground, an invasion of Libya designed to destroy Gadhafi’s military and force regime change. This would require a substantial force — and it should be remembered from Iraq that it would require a substantial occupation force to stabilize and build a new regime to govern Libya. Unlike in Egypt, Gadhafi is the regime, and sectarian elements that have been kept in check under his regime already are coming to the fore. The ability of the country to provide and administer basic government functions is also unknown. And it must also be borne in mind that Gadhafi clearly has substantial support as well as opposition. His supporters will not go without a fight and could choose to wage some form of post-invasion resistance, as in Iraq. Thus, while the initial costs in terms of casualties might be low, the long-term costs might be much higher.

It should also be remembered that the same international community that condemned Saddam Hussein as a brutal dictator quite easily turned to condemn the United States both for deposing him and for the steps its military took in trying to deal with the subsequent insurgency. It is not difficult to imagine a situation where there is extended Libyan resistance to the occupying force followed by international condemnation of the counterinsurgency effort.

Having toppled a regime, it is difficult to simply leave. The idea that this would be a quick, surgical and short-term invasion is certainly one scenario, but it is neither certain nor even the most likely scenario. In the same sense, the casualties caused by the no-fly zone would be unknown. The difference is that while a no-fly zone could be terminated easily, it is unlikely that it would have any impact on ground operations. An invasion would certainly have a substantial impact but would not be terminable.

Stopping a civil war is viable if it can be done without increasing casualties beyond what they might be if the war ran its course. The no-fly zone likely does that, without ending the civil war. If properly resourced, the invasion option could end the civil war, but it opens the door to extended low-intensity conflict.


The National Interest


It is difficult to perceive the U.S. national interest in Libya. The interests of some European countries, like Italy, are more substantial, but it is not clear that they are prepared to undertake the burden without the United States.

We would argue that war as a humanitarian action should be undertaken only with the clear understanding that in the end it might cause more suffering than the civil war. It should also be undertaken with the clear understanding that the inhabitants might prove less than grateful, and the rest of the world would not applaud nearly as much as might be liked — and would be faster to condemn the occupier when things went wrong. Indeed, the recently formed opposition council based out of Benghazi — the same group that is leading the calls from eastern Libya for foreign airstrikes against Gadhafi’s air force — has explicitly warned against any military intervention involving troops on the ground.

In the end, the use of force must have the national interest in mind. And the historical record of armed humanitarian interventions is mixed at best.


segunda-feira, 7 de março de 2011

Porque os Aliados venceram a Segunda Guerra Mundial?

Simples, porque tesoura ganha do papel ;-)




Para não perder a piada, na hipótese de alguém não conhecer a brincadeira do jaquempô, vale uma visitada nesse link.

domingo, 6 de março de 2011

Um pálido ponto azul: a Terra vista de 6 bilhões de quilômetros de distância!


1990 não é só lembrado pela invasão do Kwait pelo Iraque. No início daquele ano, em 14 de fevereiro, a sonda Voyager 1 da NASA voltou a lente de sua câmara na direção da Terra. Isso ocorreu a pedido do astrônomo Carl Sagan (1934-1996), inspirado na famosa fotografia feita pela Apollo 8 (aquela em que a Terra aparece "nascendo" no horizonte lunar").

A Voyager 1 estava a 6,4 BILHÕES de quilômetros e o resultado é a fotografia que ficou conhecida como o pálido ponto azul (pale blue dot) ...


Sim, o nosso planeta é aquele pontinho ali em destaque, suspenso num raio de Sol refletido pela nave ... faz pensar, não é?!

Em 13 de outubro de 1994, poucos anos antes de morrer, Sagan (para quem ainda não se lembra é aquele apresentador da série Cosmos) fez uma palestra na Universidade de Cornell, onde comentou, olhando para a foto: "all of human history has happened on that tiny pixel, which is our only home".


Carl Edward Sagan (sabiam que tinha um Edward ai? Pois é ;-) também escreveu um livro com o mesmo nome da foto: Um pálido ponto azul, do qual se extrai a seguinte reflexão:

"From this distant vantage point, the Earth might not seem of particular interest. But for us, it's different. Look again at that dot. That's here, that's home, that's us. On it everyone you love, everyone you know, everyone you ever heard of, every human being who ever was, lived out their lives. The aggregate of our joy and suffering, thousands of confident religions, ideologies, and economic doctrines, every hunter and forager, every hero and coward, every creator and destroyer of civilization, every king and peasant, every young couple in love, every mother and father, hopeful child, inventor and explorer, every teacher of morals, every corrupt politician, every "superstar," every "supreme leader," every saint and sinner in the history of our species lived there – on a mote of dust suspended in a sunbeam.


The Earth is a very small stage in a vast cosmic arena. Think of the rivers of blood spilled by all those generals and emperors so that, in glory and triumph, they could become the momentary masters of a fraction of a dot. Think of the endless cruelties visited by the inhabitants of one corner of this pixel on the scarcely distinguishable inhabitants of some other corner, how frequent their misunderstandings, how eager they are to kill one another, how fervent their hatreds.

Our posturings, our imagined self-importance, the delusion that we have some privileged position in the Universe, are challenged by this point of pale light. Our planet is a lonely speck in the great enveloping cosmic dark. In our obscurity, in all this vastness, there is no hint that help will come from elsewhere to save us from ourselves.

The Earth is the only world known so far to harbor life. There is nowhere else, at least in the near future, to which our species could migrate. Visit, yes. Settle, not yet. Like it or not, for the moment the Earth is where we make our stand.

It has been said that astronomy is a humbling and character-building experience. There is perhaps no better demonstration of the folly of human conceits than this distant image of our tiny world. To me, it underscores our responsibility to deal more kindly with one another, and to preserve and cherish the pale blue dot, the only home we've ever known".

Fonte: Wikipedia e José Lourenço Parreira

sexta-feira, 4 de março de 2011

2011: 20 anos da Guerra do Golfo (Operação Tempestade no Deserto)

Não é mole ser os EUA. Explode uma crise e lá vão encher o saco dos norte-americanos. Se fazem alguma coisa, estão errados porque fizeram. Se não fazem, estão errados porque não fizeram. Olha hoje o caso da Líbia! Enquanto os líbios se matam, seus vizinhos e demais países da região não enviam um copo d'água sequer! Nem os próprios líbios se entendem!

Líbios: uns pedem ajuda; outros, acham que podem resolver sozinhos a crise.
E há 20 anos foi assim também. O Iraque invade o Kwait. Ótimo! Arábia Saudita, Bareine, Emirados Árabes, Jordânia, enfim, o mundo árabe todo é contra ... mas não fazem nada. Aliás, fazem: ligam para Washington! Bom, os EUA - claro - não iam permitir que Saddam Hussein dominasse grande parte das jazidas de petróleo do Oriente Médio. E aproveitando que muita gente também era contra esse domínio, mais o fato dos países árabes estarem unidos contra Saddam (que queria ser o líder regional), etc., etc., a ONU foi acionada, deu ordens para Saddam sair do Kwait e ele não saiu (Resolução 678). Passou o prazo e em 17/01/2011 a operação Escudo do Deserto (Desert Shield) se transforma na Tempestade do Deserto (Desert Storm).

Alguns McDonnell Douglas A-4KU da Força Aérea do Kwait durante a Guerra do Golfo. Anos depois o Brasil compraria algumas dessas células para criar seu  esquadrão de caças embarcados, da Marinha: o VF-1 Falcão. Foto: Wikicommons
Bom, interesses, torcidas, ideologias e aprofundamentos à parte (sobre a Líbia, a Primavera Árabe de 2011 e a Guerra do Golfo), abaixo um ótimo documentário que dá uma ideia de como foi aquele conflito, que entrou para a história da polemologia como a primeira guerra tecnológica: mísseis Tomahawk, caças F-117 NightHawk com tecnologia Stealth, bombas a laser de última geração, GPS, mísseis antimíssies, etc.






Só para lembrar, foram 34 países contra o Iraque, que evacuou o Kwait depois de pouco mais de 11 dias de guerra aérea e naval e 100 horas de guerra terrestre: Austrália, Bareine, Bangladesh, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Egito, França, Grécia, Itália, Kuwait, Marrocos, Holanda, Nova Zelândia, Nigéria, Noruega, Omã, Paquistão, Portugal, Catar, Coreia do Sul, Arábia Saudita, Senegal, Serra Leoa, Singapura, Espanha, Síria, Emirados Árabes Unidos, Grã-Bretanha, Estados Unidos e ... Argentina, que enviou dois navios de guerra à região: a corveta P-43 ARA Spiro e o contratorpedeiro D-10 ARA Almirante Brown.

Mas na Argentina, aparentemente os "hermanos" não levaram muito a sério sua participação. O jornal argentino Página 12 ironizou o envio dos navios com a charge abaixo. Que maldade! ;-)

Argentina na Guerra do Golfo. Charge do cartunista argentino Daniel Paz y Rudi.
Foto: Coleção particular de Luiz Eduardo Silva Parreira

quinta-feira, 3 de março de 2011

FLECHA (3º/3° GAv) shot first!

No filme Star Wars IV: New Hope, Han Solo (um dos protagonistas da saga) se encontra sentado num bar na periferia do Universo. Lá um caçador de recompensas o encontra e enquanto fala com Han (ameaçando-o), este saca sua pistola e mata o bandoleiro extraterrestre. Ocorre que isso aconteceu na versão original do filme. Já em 1997, quando Star Wars  era cult, além de visar conseguir novos fãs para o Império ou a ralé dos rebeldes com os novos Star Wars que viriam (I, II e III), essa cena politicamente incorreta não poderia prosperar (já que Solo era um "mocinho"). Então, George Lucas mexeu no filme e a nova versão que passou nos cinemas mostrou o caçador de recompensas atirando primeiro e Han Solo revidando. Legítima defesa!

Cena do filme alterada, para o relançamento de 1997.
Mas os fãs de Star Wars (os fãs que importam; aqueles que compram os DVD's, camisas, etc.) não engoliram essa maquiagem e criaram um movimento chamado Han shot first (Han atirou primeiro). O barulho foi tamanho que nas versões seguintes do box do filme a cena original é colocada como opção!

Assim ocorre com o primeiro tiro feito durante uma interceptação no Brasil. Em 03 de junho de 2009 espalha-se a notícia de que um A-29 Super Tucano da FAB (provavelmente do 2º/3° Esqd. Grifo) teria obrigado uma aeronave a pousar depois de efetuar tiros de advertência (o último passo antes do tiro de destruição). A FAB em seguida libera o vídeo da interpectação (abaixo) e logo a imprensa começou anunciar que teria sido o primeiro tiro feito em interceptação no Brasil ...


... mas não foi bem assim. Em 12 de dezembro de 2003 duas aeronaves A-27 Tucano (talvez os FAB1423 e FAB1429) do futuro Esquadrão Flecha (3º/3° GAv) interceptaram o avião monomotor Cessna PT-IFA, em Ribas do Rio Pardo, aproximadamente a 170 km de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. O avião foi descoberto com a ajuda de um E-99.

Esquadrilha do Flecha ainda com os A-27 Tucano sobrevoando Campo Grande,
na região onde funcionou o antigo campo de aviação do EB, nos anos 30.
Foto: Spotter
Segundo o repórter Denilson Pinto da imprensa local (jornal Correio do Estado, 13/12/2003, p. 14a), o avião suspeito foi seguido de Campo Grande pelos dois aviões da BACG. Já próximo a Ribas do Rio Pardo, os pilotos deram ordem para que a aeronave pousasse no aeroporto mais próximo. No entanto, o piloto suspeito não obedeceu, o que obrigou os militares envolvidos na ação a realizarem tiros de advertência com balas traçantes. Depois disso o PT-IFA pousou no pasto de uma região conhecida como Ribeirão Claro. A PF foi acionada, mas ao chegar ao local, o piloto já havia se evadido. Foram apreendidos 257 kg de cocaína. O Cessna foi resgatado por um UH-1 do 2°/10° GAv.


Um A-27 Tucano do Flecha treinando pouso e decolagem a partir da rodovia MS-080, 
que liga Campo Grande a Rochedo. Hoje o Flecha voa os A-29 A/B.
Foto via Sistemas de Armas
Como o decreto (5.144/2004) que regulamenta a lei do abate (Lei 9.614/98) entrou em vigor em 2004 e o feito dos Flechas ocorreu um ano antes, bem como que o esquadrão passou a existir oficialmente em 11/02/2004, pode-se dizer que o Grifo foi o primeiro a efetuar disparos de advertência depois da vigência da lei do tiro de destruição. Mas que foi o Flecha quem atirou primeiro nos céus do Brasil, foi ... Flecha shot first!

"Flecha ao ar, à caça, Brasil" - Flecha sobrevoando Campo Grande, já com o
efetivo todo composto de A-29 Super Tucano
Foto: CeComSAer

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Os T-6 e a ERA-42 na Base Aérea de Campo Grande

Por Luiz Eduardo Silva Parreira

O North American T-6 Texan é um clássico! Gerações de aviadores aprenderam a voar neles, assim como, serviram durante a 2ª Guerra Mundial e Guerra da Coreia como avião de observação. Entretanto, após a experiência israelense em usá-las como plataforma de armas, outros países viram nela uma excelente alternativa para uso como aeronave de ataque aéreo aproximado (uma versão barata do A-1 Skyraider, digamos assim, que levava de tudo, até privada!).

Douglas A-1 Skyraider do VA-25 do porta-aviões USS Midway, durante a guerra do Vietnã, com sua estranha carga: uma privada de banheiro! É uma alusão de que aquele esquadrão poderia levar de tudo! Mais fotos aqui.


Brasão da ERA-42. Foto: Arquivo 
pessoal de Luiz Eduardo Silva Parreira
Com sinais de que grupos guerrilheiros estavam se infiltrando em áreas de matas e florestas pelo Brasil, bem como, que Che Guevara estaria na Bolívia e poderia auxiliar esses grupos, as forças armadas brasileiras resolveram reforçar suas unidades nas fronteiras com o Paraguai e Bolívia. No caso da Força Aérea, foi criada e ativada em 20/10/1965 a ERA-42 (esquadrilha de Reconhecimento e Ataque 42) no então Destacamento de Base Aérea de Campo Grande, que já vinha desde os anos 30 servindo de apoio aéreo para o CAM/CAN (Correio Aéreo Militar, porteriormente, Nacional).

Esta unidade aérea teve a sua existência pautada em contínuas manobras, isoladas e em conjunto com o Exército Brasileiro e Marinha do Brasil, tais como: Operação Poti, Operação Anchieta, Operação Catrapo, Operação Charrua e Operação Xavante.

Aeronave T-6 sendo armada com foguetes e bombas.
Foto: Revista Aero Magazine (Ano 7, nº. 81)
Seu primeiro comandante foi o 1º Ten. Av. Raul Galbarro Vianna e a ERA-42 sempre operou com aeronaves T-6 até sua desativação em 10/03/1970.

Flâmula da ERA-42. Desenho original escolhido e aprovado pelo então EMAER em 08 de maio de 1967. Foi elaborado por Julieta Saad Pulchério. Foto. Arquivo pessoal de Luiz Eduardo Silva Parreira.
Os T-6 do ERA-42 eram armados com 3 metralhadoras Browning .30, 4 bombas de 35kg e foguetes.




Com a morte de Che Guervara na Bolívia em 1967 e com a identificação dos focos guerrilheiros no Brasil na região Norte do país, no início da década de 70 o ERA-42 foi fundido com o ERA-51 e com a 3ª ELO, ambas de Canoas, para formarem em Belém o 1ª ERA (Esquadrão de Reconhecimento e Ataque), que mais tarde se tornaria o Esquadrão Falcão, da FAB.


T-6 BACG, meados da década de 90, quando em sua base havia um espelho d´água.
Arquivo Luiz Eduardo Silva Parreira


Havia integração entre os esquadrões. Na semana da ASA de 1972, por exemplo, a ERA-51, que ficava na Base Aérea de Cumbica, visitou a antiga casa dos Caracará (código rádio da ERA-42), quando efetuou até lançamento de bombas NAPALM no perímetro do destacamento de BACG!


Aeronaves da ERA-41 Vampiros, na Semana da ASA em Campo Grande. Fotos: Arquivo pessoal de Luiz Eduardo Silva Parreira / Símbolo do ERA-41: FlickR de Luci Braga
Dentre os integrantes da ERA-42, estava o oficial-aviador oriundo da Cidade Morena, Ten. Av. Chaves Filho. Anos depois, ele foi indicado para ser sub-comandante da Base Aérea de Campo Grande, o primeiro campo-grandense que ocuparia aquele posto. Porém, faleceu num acidente aeronáutico antes de assumir.

T-6D com seu armamento. Foto: Arquivo pessoal de Luiz Eduardo Silva Parreira


Hoje (2011) há vários integrantes da FAB oriundos de Campo Grande e Mato Grosso do Sul. Por exemplo, campo-grandenses, há pelo menos dois Oficiais Generais: o Tenente-Brigadeiro-do-Ar João Manoel Sandim de Rezende e o Brigadeiro-do-Ar Maximo Ballatore Holland; de Corumbá, o Capitão-Aviador Sando Sadique, que hoje serve no Esquadrão Onça (1°/15° GAv).

Na frente da BACG havia um P-47 (veja matéria sobre ele aqui). Em 1984 foi decidido retirá-lo e a aeronave colocada para substituí-lo foi um T-6, em alusão à ERA-42, criada e extinta na cidade e que ali voou por 5 anos. Em homenagem ao Cel. Av. Chaves Filho, a praça que guarda o T-6 recebeu seu nome.


O T-6D que está na frente da BACG é o FAB 1415. Não sei se ela pertenceu à ERA-42. Aliás, não se obteve alguns dados que enriqueceriam a história da ERA-42 em Campo Grande, como quais aeronaves T-6 a mobiliavam, se eram modelo G (golf) ou D (delta), suas matrículas FAB, mais fotos de sua estadia na capital sul-mato-grossense, etc. Mas ainda voltaremos a esse assunto ;-).

O FAB1415 T-6D na praça Cel.Av. Chaves Filho, em frente à BACG.
Foto: Cb. Valêncio, em 22/06/2006 via Águida da Silva Pavão. Hoje o esquema viário do local foi modificado.


Praça Cel.Av. Chaves Filho, já sem espelho d'água, mas com placas de informações intactas (idos de 2002). Hoje as placas estão danificadas. Foto: Arquivo pessoal de Luiz Eduardo Silva Parreira


Os T-6 da FAB chegaram a pertencer à esquadrilha da Fumaça. 

Fonte: Flogão 
E hoje voam nas cores da Esquadrilha Oi.

Fonte: PromoView
Fotografia enviada por Rafael Lott, do seu avô, Tenente-Coronel Aviador da FAB, Milton Magalhães Lott, voando um T-6 (FAB 1250), sobre a pedra da Gávea, no Rio de Janeiro. SEgundo Rafael, seu avô pilotou os T-6 de 1949 a 1952. Obrigado pela participação, Rafael!



Interessante destacar que os T-6 brasileiros utilizaram três padrões de pintura: a) Uma 'a la Southeast Asia (camuflada, como a que está na BACG), b) uma branca e alaranjada (treinamento) e c) uma especial para a Esquadrilha da Fumaça. E pela foto do Comandante Delfino, mesmo com o esquema branco/laranja, eles também empregavam armas como bombas oO!





Mais do T-6, sendo esta vista aérea; uma fotografia via Coronel de Artilharia (R1) William Vargas da Silva.



T-6 que ficava (não sei se ainda está lá), em fevereiro de 1990, na represa de Guarapiranga, São Paulo: FAB 1235 T-6G.




Já aqui, desativados :-(




No remate, uma apresentação de T-6. Excelente!!





Em maio de 2015, no aniversário do Aeroclube de Campinas, três T-6 brindaram os presentes com o roncar de seus motores radiais! Perfeito!

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