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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Forte de Coimbra: o parquinho infantil da Escola Ludovina Portocarrero.

por Luiz Eduardo Silva Parreira

Quando a Pedagoga Nilze Silva Parreira chegou ao destacamento de Forte de Coimbra, em 1974, acompanhando seu esposo - o então Sargento Parreira - assumiu a direção adjunta da Escola de 1º Grau (hoje ensino fundamental) Ludovina Portocarrero. Desde sua criação na década de 30, era a primeira vez que uma Pedagoga assumia a administração daquele colégio.

Professora Nilze Silva Parreira na direção da Escola Ludovina Portocarrero, Forte de Coimbra.
Arquivo pessoal de José Lourenço Parreira.


Emblema do Forte de Coimbra enquanto
ainda quartel da arma de Artilharia.
Arquivo pessoal de Rui Spínola Barbosa.
Sempre bom lembrar que o Forte de Coimbra é um destacamento militar do Exército Brasileiro, distante cerca de 100 quilômetros de Corumbá, às margens do Rio Paraguai, à jusante dele. Existe desde 1775 (!) e tem muita história para contar, as quais aos poucos iremos retomar, passando, inicialmente e preferencialmente, por fatos pouco lembrados, mas não menos importantes. Desde 1992 a unidade militar que administra o Forte de Coimbra é da arma de Infantaria, hoje a 3ª Companhia de Fronteira/Forte Coimbra (3ªCiaFron/FC). Antes era um quartel de Artilharia, sede da 1ª Bateria do 6º Grupo de Artilharia de Costa do Exército Brasileiro (1ª/6º GACos)

A Professora Nilze notou que as crianças (filhos de civis e militares) da vila de Coimbra não tinham atividades de lazer adequadas às suas idades. Para os jovens ainda havia um precário campo de futebol, mas para as crianças de até 10 anos, não havia nada. Assim, ou disputavam com os mais velhos a utilização do campo (com evidente desvantagem) ou se lançavam à pescaria, que já tinha causado alguns acidentes fatais por conta dos perigos de se navegar no rio Paraguai.


Vila de Coimbra, em 1986.
Arquivo pessoal de Rui Spínola Barbosa.


Assim, ela imaginou a construção de um parque infantil para os alunos da escola, mas que também serviria a todas as crianças da comunidade. De se lembrar que falamos de Forte de Coimbra na segunda metade da década de 70: imagem ruim de TV, sinal fraco de rádio e com energia elétrica fornecida por geradores movidos à óleo diesel, desligados na maior parte do dia. O espaço para a construção do parquinho seria uma área desocupada que ficava ao lado da praça da Igreja de Nossa Senhora do Carmo.

Vê-se em primeiro plano parte da praça da Igreja (ainda sem calçamento) e após a rua nota-se a área onde se construiu o parque infantil da Escola Ludovina Portocarrero. Ao fundo, o Colégio Ricardo Franco. Arquivo de José Lourenço Parreira

Em 1980 a Professora Nilze assumiu a direção da escola e com o aval e apoio do então comandante da guarnição, Major de Artilharia Aires Barros Olivo, iniciou os trabalhos de levantamento de dinheiro para a aquisição dos brinquedos, que foram mandados construir com recursos próprios oriundos de festas, bingos e quermesses;  em Campo Grande, e transportados pelo Exército Brasileiro da cidade até o Forte de Coimbra, onde foram montados. Enquanto não vinham, a área era preparada para a sua colocação.

Vista parcial do parquiho infantil no dia da sua inauguração.
Foto: Arquivo de José Lourenço Parreira.

A inauguração ocorreu ainda naquele ano, com a presença do General de Brigada Fábio de Moura e Silva Lins, Comandante da 2ª Brigada Mista (hoje 18ª Brigada de Infantaria de Fronteira) e do Prefeito de Corumbá, Sr. Anache (Forte de Coimbra é distrito de Corumbá).

Da esquerda para direita: General Fábio, Cmte. da 2ª Bda. Mista/Corumbá; prefeito de Corumbá, Sr. Anache e Major Olivo, Cmte. do Forte de Coimbra. Foto: Arquivo de José Lourenço Parreira.

Nesta foto O então Sgt. Parreira e a Professora Nilze, encontrando  o general Fábio, o Prefeito de Corumbá e o Cmte. do Forte de Coimbra. Foto: Arquivo de José Lourenço Parreira.

O parque tinha horário de funcionamento, sendo fechado nas horas de aula e aberto até certo horário nos dias de semana e finais de semana, com um soldado fazendo ronda.

O prefeito de Corumbá descerrando a faixa na entrada do parque.
Foto: Arquivo de José Lourenço Parreira.

Entrada dos alunos da então 2ª a 4ª séries.
Foto: Arquivo de José Lourenço Parreira.

A população se reuniu para prestigiar a inauguração.
Foto: Arquivo de José Lourenço Parreira.

A entrada das crianças do pré e então 1ª ano primário.
Foto: Arquivo de José Lourenço Parreira.

Por quase dez anos ele serviu à comunidade, sendo aos poucos abandonado, não manutenido e enfim demolido por volta de 1988, onde no lugar passou a se criar porcos! Em 1992 já não existia nada no local. Ali mais tarde se ergueu o posto médico da guarnição de Forte de Coimbra, que funciona até hoje.

O parquinho em 1986. 6 anos depois de sua inauguração ele ainda era 
preservado e usado pelos moradores. Foto: Arquivo de Rui Spínola Barbosa.

Os anos entre 1990 e 2000 (governos Collor, Itamar e FHC) foram marcados por uma política governamental de abandono às populações civis nas fronteiras do Brasil. O que se vinha fazendo desde o início do século XX nos extremos do país (visando a fixação de povoações e cidades) foi deixado de lado durante toda aquela década. O parque infantil tinha em mente essa fixação. 

Posto médico da 3ª Cia. Fron./Forte Coimbra, em 2002.
Foto: Arquivo de Luiz Eduardo Silva Parreira.

Hoje (2011) as fronteiras Oeste e Norte são novamente alvo de atenção do governo brasileiro e além dos militares, os civis são novamente bem-vindos em Forte de Coimbra, como moradores. No entanto, por descaso, a infância coimbrense foi penalizada com a perda do seu espaço de lazer.

Local onde ficava o parquinho infantil da Escola Ludovina Portocarrero.
Foto: Google Earth.


Atualizado em 16/05/2011.
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