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segunda-feira, 30 de maio de 2011

20º Regimento de Cavalaria Blindado: dos M-41 A3C Caxias ao M-60 A3 TTS ...

Por Luiz Eduardo Silva Parreira


O 20º Regimento de Cavalaria Blindado (20 RCB) foi criado pelo decreto n.º. 92.171, de 18 de dezembro de 1985 e teve sua construção iniciada em outubro de 1986. Foi criado dentro do projeto FT/90 (Força Terrestre 90), a fim de reforçar a estrutura organizacional da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, com sede em Dourados, Mato Grosso do Sul.

O 20º RCB em 1993, apenas 5 anos depois de ter sido inaugurado.
Foto de Roberto Higa.
Foi inaugurado em 20 de janeiro de 1988 e seu primeiro comandante foi o Coronel de Cavalaria Roberto Schifer Bernardi, que anos mais tarde retornou a Campo Grande como General-de-Divisão, assumindo o comando do Comando Militar do Oeste (CMO).

O 20º RCB em 1993, apenas 5 anos depois de ter sido inaugurado.
Foto de Roberto Higa.
O "VINTE" nasceu plenamente identificado com o Estado de Mato Grosso do Sul, pois seus quadros de oficiais e praças são originários, em sua grande maioria, do 1º/4º R.Rec.Mec, de Campo Grande, que foi absorvido pela OM. Outra unidade que foi incorporada pelo 20º RCB foi o 1º Esquadrão do 4º Regimento de Cavalaria Motorizado, de Três Lagoas/MS, que em 1990, ainda possuía naquela cidade um dos esquadrões de Fuzileiros Blindados. Em 1998, o Regimento recebeu a denominação de Regimento Cidade de Campo Grande!


O 20º RCB em 2010.
Foto: Panorâmico de Ademar Antônio Merig
Lamentavelmente não se tem registros mais exatos, mas entre os anos de 1987 e 1989, três blindados EE-9 Cascavel, do 1º/4º Rec.Mec., de Três Lagoas, participaram de uma apresentação musical da Banda do Comando Militar do Oeste, na Praça da República (hoje também conhecida como praça do Rádio), que executou, dentre outras peças, a Abertura de 1812, de Tchaikovsky; sendo que os tiros de canhão presentes nessa belíssima obra foram feitos por aqueles 3 carros de combate.


Parte da execução da Abertura de 1812, feita pelo Exército de Autodefesa do Japão, com tiros de obuseiros 105mm. Essa música foi composta pelo autor russo para comemorar a vitória da Rússia sobre os exércitos de Napoleão. (aumento o som!)

E aqui fica uma sugestão: bem que o 20º RCB poderia reapresentar essa peça em suas instalações, só que agora com os poderosos M-60 A3 TTS, para se comemorar os seus 26 anos da criação! E ficaria ainda mais rica a festa se se colocasse no programa a Marcha Solene Brasileira para orquestra e banda militar com canhão, de Gottschalk. Esta música foi executada para o Duque de Caxias e depois disso, nunca mais no Brasil se a executou com tiros de canhão! Fica a dica ;-)



Execução da Marcha Solene Brasileira para Orquestra e Banda Militar com Canhão, pela Banda da 5ª Brigada de cavalaria Blindada (mas sem canhão). Aumente o som!

De 1988 até 2010, a unidade operou os blindados M-41 A3C Caxias (com motor modernizado e armamento de maior calibre em relação ao original M41 Walker Bulldog, do USArmy). Recebidos também naquela época, o Regimento ainda utiliza as viaturas blindadas de transporte de pessoal (VBTP) M-113B, umas das quais (EB 21753) levou os despojos do Imperador Dom Pedro I, em 25 de maio de 1972. Não seria o caso de também se preservar este veículo, como se faz com o "meia-lagarta" e o "M-8?

M-113B EB 21753, do 20º RCB, que levou a urna funerária de Dom Pedro I, no
Sesquicentenário da Independência do Brasil. Acervo de Luiz Eduardo Silva Parreira.

Em 2010, o "Vinte" terminou de se desfazer de seus M-41, enviando muitos deles para a AMAN (Academia Militar das Agulhas Negras). Os mais antigos e sem meios de manutenção, viraram monumento em diversos quartéis da Cidade Morena. 

Passado e presente: em primeiro plano, um M-60 A3 TTS e mais ao fundo, um M-41 A3C, ambos do 20º RCB, numa exposição estática no dia 03 de outubro de 2010, na Base Aérea de Campo Grande. Um dos últimos momentos em que as duas viaturas da OM estiveram juntas. Acervo pessoal de Luz Eduardo Silva Parreira.

Uma das últimas participações dos M-41 do "Vinte" foi no Desfile de 7 de Setembro, na Rua 14 de Julho, em Campo Grande. Nessa oportunidade, pode-se registrar os procedimentos de recolhimento desses carros de combate. 

Perceba-se a quantidade de pessoas que puderam acompanhar os trabalhos, apenas afastadas o suficiente para a sua segurança, mas sem maiores óbices para se gravar, fotografar. Sem sombra de dúvidas foi o maior serviço de relações públicas que a unidade poderia ter feito naquele dia! Parabéns, VINTE!

7 de setembro de 2010 - Campo Grande/MS
Obs.: No texto que aparece no vídeo, escreveu-se VBTT, mas na verdade é VBTP.

Em 2011 o 20º RCB só possui em seu arsenal de Carros de Combate os poderosos M-60 A3 TTS. As fotos abaixo os mostram no Dia da Cavalaria nesse ano, além das outras viaturas e armamentos que a unidade possui, como os novíssimos morteiros de 120mm (veja a Carga de Cavalaria do 20º RCB nesse dia).

Acervo pessoal de Luz Eduardo Silva Parreira.

Acervo pessoal de Luz Eduardo Silva Parreira.

No Regimento Cidade de Campo Grande funciona um Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR) e também preparara a formação básica de Sargentos das Armas. O NPOR do "Vinte" edita já há dois anos uma revista, mui bem produzida, com detalhes sobre a unidade, tornando-se um importante elo de ligação e divulgação entre o Regimento e a sociedade. Destaca-se dentre seus colaboradores, os 1º Tenentes de Cavalaria Leão e Carbone.

Revista do NPOR do 20º RCB.
Cortesia do 1º Ten. Leão.
Há no 20º RCB um monumento aos Pracinhas, os soldados brasileiros que lutaram na 2ª Guerra Mundial. É uma réplica de outro que está no 11º Batalhão de Infantaria de Montanha - Regimento Tiradentes - em São João Del Rei, Minas Gerais. O Fuzil com o capacete sobre ele foi originalmente feito pelos ALEMÃES, no teatro de operações da Itália. Quando o "Onze de montanha" avançou sobre as linhas inimigas recentemente tomadas, encontrou três covas com soldados seus enterrados pelos alemães. Junto às covas, um Fuzil de pé com um capacete sobre ele, a exemplo do monumento. Junto deles, uma cruz com uma placa em alemão: Drei Brasilianischen Helden (três heróis brasileiros!). Essa belíssima história será contada nos cinemas pela produção nacional "Heróis".


Monumento réplica do levantando pelos alemães, na 2ª Guerra Mundial.
Foto: Gustavo Augusto de Araújo.


Sobre o ocorrido: "(...) este combate [Montese] houve uma homenagem prestada pelos alemães a três soldados brasileiros que, em missão de patrulha, não se sabe a história correta, mas constatou-se que ao se depararem com uma patrulha alemã, tendo recebido ordem para se renderem, atiraram-se ao chão e abriram fogo contra o inimigo, até acabar a munição. Não satisfeitos, armaram suas baionetas e avançaram contra a Companhia, perecendo face à superioridade numérica do inimigo. Como reconhecimento à bravura e à coragem daqueles soldados, os alemães os enterraram em covas rasas e, junto às sepulturas, colocaram uma cruz com a inscrição "DREI BRASILIANISCHEN HELDEN" (Três Heróis Brasileiros). Em homenagem a eles - Arlindo Lúcio da Silva,Geraldo Baeta da Cruz e Geraldo Rodrigues de Souza -, existe no pátio de formatura do Batalhão um monumento que os reverencia".

Todo soldado do Brasil tinha de saber disso ...


Atualizado em 31/05/2011.
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Encerramento do XXV CEPE/ADESG-MS com Pós-graduação Latu Sensu em Planejamento Estratégio pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB).

por Luiz Eduardo Silva Parreira.


Senhoras e Senhores, saúdo-vos!

Autoridades, na pessoa do presidente, Sr. Delegado da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, Delegacia Mato Grosso do Sul, Coronel Murilo Oliveira Castro,  no qual cumprimento todos os  membros componentes desta respeitável mesa.

Meus amigos formandos, boa noite!

Foi com imensa alegria que aceitei o convite formulado pelos meus colegas de curso para ser o orador neste importante momento de nossas vidas acadêmicas. Vindo de tão admiráveis e nobres pessoas, foi impossível declinar tão elevada honra; ainda que, confesso, seja  eu o menos digno desta áurea missão!  Não obstante, aceitei e, humildemente, procurarei cumpri-la à altura de falar em nome dos novos adesguianos do XXV CEPE.

“FELIZ A NAÇÃO QUE TEM O SENHOR POR SEU DEUS!”

Esta profunda, bela e simples lição, escrita há mais de dois mil anos pelo salmista, é a síntese do nosso Curso de Estudos de Política e Estratégia (CEPE).

Da lavra de São Tomás de Aquino, o mais santo dos filósofos e o mais filósofo dos santos, extrai-se que “SOMOS AQUILO QUE AMAMOS”. A mesma sã filosofia nos ensina que só podemos amar aquilo que conhecemos. Nós conhecíamos o Brasil, mas, por meio da ADESG, passamos a vê-lo com um olhar mais crítico e, concomitantemente, descobrimos que nossa vontade de trabalhar para construir uma PÁTRIA FORTE, SOBERANA E AMADA POR SEUS FILHOS não é um sonho particular ou absurdo.  É o desiderato de um coletivo que acredita que somente estudando o Brasil, poderemos separar o pastor do mercenário. O pastor, assevera o evangelista João, dá a vida pelas suas ovelhas. Já o mercenário, que não é pastor e a quem não pertencem as ovelhas, apenas vê aproximar-se o lobo, deixa-lhe as ovelhas e foge!

Nós, brasileiros, somos os pastores! Todos nós! Nossas ovelhas são os Objetivos Fundamentais da Nação Brasileira: A DEMOCRACIA, A INTEGRAÇÃO NACIONAL, A INTEGRIDADE DO PATRIMÔNIO NACIONAL, A PAZ SOCIAL, O PROGRESSO E A SOBERANIA.

Já os lobos e mercenários, lamentavelmente, brasileiros muitos desses, querem destruir o que nossos antepassados nos deixaram e que cabe a cada um de nós, defender! Essas pessoas trabalham para que esqueçamos um trinômio que desde os primórdios do Brasil fez com que todos se unissem pela sua defesa: seja no campo intelectual, com Rui Barbosa, Alexandre de Gusmão e o Barão do Rio Branco, ou no campo de batalha: o trinômio DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA!

A integridade familiar é que salvará o Brasil. É da família, do berço, que sairão os brasileiros éticos e moralmente fortes para mudarem toda situação que nos causa indignação. E DEFENDER A FAMÍLIA É DEFENDER A PÁTRIA! Por isso a família é alvo constante dos ataques dos inimigos da Pátria, pois, sabem que enfraquecer a célula matter da sociedade é deixá-la vulnerável aos ventos hostis da oportunidade alheia. É na família bem formada que se aprende o valor da educação, do respeito, de que existe o não, de que há responsabilidades, que há prêmios e castigos. Que há limites e que existe amor, afeto e solidariedade gratuitos, pelo sublime gesto de amar.

E uma família temente a Deus, Todo Poderoso, é mais atacada ainda. Porque em nome de Deus, as diferenças deixam de existir.

Foi assim em Guararapes, em 19 de abril de 1648, nascedouro da Nação e do Exército Brasileiro. Ali o negro, o índio e o branco lutaram contra o invasor holandês, unidos pelo amor ao Brasil, cujo catalisador era a fé em Deus. Nas imagens dos Mestres-de-Campo, brancos, Vidal de Negreiros, Fernando Vieira e Barreto Menezes; do Capitão-Mor dos Índios, Felipe Camarão e do Governador dos Negros, Henrique Dias, vê-se que ostentavam a CRUZ DE CRISTO no peito! E o Nordeste é hoje Brasil!

Também em Forte de Coimbra, aqui perto, a 100 quilômetros de Corumbá, em 1801, diante de uma força incrivelmente superior, o tenente-coronel Ricardo Franco de Almeida Serra, patrono do Quadro de Engenheiros Militares do Exército Brasileiro, resistiu por nove dias ao cerco e ataque do inimigo, com a certeza de que tinha um dever a cumprir com a Pátria e com Deus!   Foi esse herói quem levou para Coimbra a imagem de Nossa Senhora do Carmo em cuja proteção sempre acreditara!  Em resposta ao ultimato do governador de Assunção, Lázaro de Ribera, para que desocupasse o Forte e o entregasse, ultimato respaldado por uma frota de três sumacas espanholas fortemente armadas com canhões, com mais de 600 homens embarcados e 300 índios paiaguás. No Forte havia menos de 50 combatentes leais ao grande Comandante!  Confiante em Deus, em Nossa Senhora do Carmo e nesses poucos defensores que lhe eram leais, Ricardo Franco redigiu sua resposta afirmando que ou repeleriam o inimigo ou sepultar-se-iam debaixo das ruínas do Forte que jurara defender! Esta vitória de RICARDO FRANCO, em setembro de 1801, é que garantiu pelo jus belli a grandeza territorial brasileira a oeste de Tordesilhas.  Campo Grande, Mato Grosso do Sul é Brasil porque RICARDO FRANCO, no Forte de Coimbra, resistiu, barrou o avanço do inimigo castelhano. 

NOVE DIAS DE LUTA E RESISTÊNCIA QUE GERARAM 210 ANOS DE GRANDEZA TERRITORIAL PARA O BRASIL!  TAL VERDADE, TÃO BELA E LUMINOSA, EMOCIONA A CADA UM DE NÓS QUE HABITAMOS ESTE RICO CENTRO-OESTE!

O mesmo se observa na campanha da Tríplice Aliança quando – a exemplo de Mallet – Patrono da Artilharia do Exército Brasileiro, cujo brasão contém a inscrição “Minha força vem do alto”, os demais Patronos do Exército, Caxias, Osório, Sampaio, Cabrita; todos, antes de cada batalha, ajoelhavam-se para rezar na hora da revista!

Quando a Força Expedicionária Brasileira, após as vitórias em Fornovo, Collecchio, Zocca, Camaiore, Monte Prano, Castelnuovo, Montese, Monte Castelo, cessou fogo no teatro de operações da Itália, em 08 de maio de 1945, seu comandante – Marechal Mascarenhas de Moraes – pronunciou pelo rádio: “A ORDEM DE CESSAR FOGO ACABA DE SER DADA A TODAS AS TROPAS QUE COMBATEM NA ITÁLIA. GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS E PAZ ENTRE OS HOMENS DE BOA-VONTADE NA TERRA”!

Há ainda alguma dúvida de que todos esses personagens titubeavam na fé, amavam o Brasil ou queriam bem às suas famílias? Não! Tinham o trinômio DEUS-PÁTRIA-FAMÍLIA vivos em sua alma. Por isso esses valores são, hodiernamente, violentados, ultrajados, atacados, porque se sabe que eles já provaram que são capazes de unir o povo brasileiro contra aqueles que querem dominá-lo.

Nós do XXV CEPE – com vistas nesses vultos e heróis – somos mais uma pedra viva na trincheira contra os mercenários. Por isso não podemos deixar de agradecer aqueles que nos conduziram durante esses meses de curso.

Agradecemos, ab imo corde, ao Delegado da ADESG/MS, Coronel Murilo de Oliveira Castro, nosso líder de esquadrilha nos vôos de pensamento que fazíamos, obrigado por sua dedicação e ensinamentos; afinal, como disse o primeiro Ministro da Aeronáutica, Salgado Filho, é o avião que leva mais alto a bandeira do Brasil!; ao Coordenador do XXV CEPE, Coronel João Ricardo Coelho, obrigado pelo abraço amigo, pelos conselhos e pela excelente condução do Curso; ao Sub-tenente Leal, secretário do XXV CEPE, obrigado pelos trabalhos administrativos que tanto agilizaram nosso curso; à Senhora Arliede, responsável pela tesouraria, pelos nossos passeios e pela belíssima festa que desfrutamos agora. E a todos os membros da ADESG/MS, na pessoa da secretária Danilla, que sempre mui bem nos atendeu na sede.

Também não se poderia deixar de falar de cada um dos 18 formandos. 18 como os 18 DO FORTE DE COPACABANA, que em 05 de julho de 1922, marcharam quase todos para a morte, escudados, basicamente, pelos seus ideais. Nós, agora ADESGUIANOS, da mesma maneira marchamos, unidos aos demais colegas já formados desde 1951, com um só coração e uma só alma pela grandeza do Brasil, o lema da ADESG!

O Advogado Danilo Gordin Freire, que sempre tinha uma observação pertinente durante os debates;

O Gestor Imobiliário Élson Gilvan Oliveira de Aquino, homem de uma força de vontade férrea e de um coração amigo;

O Administrador Fabiano Dassan, com seu olhar sempre atento e seu aperto de mão firme;

O Veterinário Francisco Rodrigues Santos, que sempre tinha uma palavra de incentivo para dizer aos colegas;

A Pedagoga Gláucia Chaves Brito, com voz doce e uma indignação sincera, que a fazia sempre ser enérgica nos argumentos quando preciso;

O Advogado Irineu Allan De Jesus, pessoa de inteligência ímpar e de alma castrense;

O Advogado Jair Oliveira Chita, professor universitário que fez da sua sala de aula um apêndice da ADESG;

O Tecnólogo Joelson Chaves de Brito, com seus argumentos sempre bem embasados e uma dedicação exemplar à sua fé;

O Pedagogo Jorge Augusto Amaral, que sempre tinha um apontamento sobre a Campo Grande de outrora, que ele viu crescer;

A Engenheira Jozilda Riffel Camatte, com suas críticas sempre buscando enriquecer os debates;

O Policial Militar Juliano Marques Fernandes, que diversas vezes foi à aula no intervalo de sua escala de serviços;

O Tenente de Cavalaria Leonardo Leão Fernandes Nishiguchi, homem responsável, líder nato e com certeza um dos futuros Generais-de-Exército de nossa gloriosa Força Terrestre;

A Pedagoga Márcia Maria Santos Fenero, que nas suas falas indignadas, sempre citava exemplos de sua vida que enriqueciam a explanação;

A Perita Criminal Marianna Vicente de Melo, bióloga de formação, que muito nos instruiu em sua apresentação na monografia;

O Tenente de Cavalaria Rafael Francisco Rosa Carbone, que tanta saudade deixou no NPOR do 20º Regimento de Cavalaria Blindado, por seu companheirismo;

O Tenente Vinícius Rodrigues Gonçalves, pastor, capelão do CMO, que sempre levava nas aulas algum livro para comentar com os colegas

E O Advogado Nilvo de Souza Moraes, sempre calmo, sereno e doce, que nos deixou uma belíssima mensagem no último dia de aula, com a estória da senhora que lançava semente de flores.

Senhoras e senhores, meus colegas formandos, sem sombra de dúvida, evocando São Paulo na Sagrada Escritura, COMBATEMOS O BOM COMBATE, TERMINAMOS A CORRIDA E GUARDAMOS A FÉ. Comprometemos-nos a não sermos omissos como Pôncio Pilatos, que diante da VERDADE e da INOCÊNCIA, lavou as mãos.

NÃO!

Lembraremos sempre da exortação feita pelo Almirante Barroso, na Batalha do Riachuelo, em 11 de junho de 1865, quando hasteou as bandeiras-código no seu navio-capitânea, com os dizeres que empolgaram os brasileiros e os levaram à vitória naquele dia: “O BRASIL ESPERA QUE CADA UM CUMPRA O SEU DEVER!”

NÓS CUMPRIREMOS!

Muito obrigado.


sábado, 28 de maio de 2011

Interesse da China por terras produtivas deixa Brasil incomodado.


Alexei Barrionuevo, Em Uruaçu (Brasil) 



Quando os chineses vieram à procura de mais soja aqui no ano passado, eles perguntaram a respeito de compra de terras –muitas terras.
 
As autoridades desta região agrícola não venderiam as centenas de milhares de hectares necessárias. Sem perder o ânimo, os chineses buscaram uma estratégia diferente: fornecer crédito para os produtores rurais e potencialmente triplicar o cultivo de soja aqui, para alimentação de frangos e porcos na China.

“Eles precisam de soja mais do que qualquer outro”, disse Edimilson Santana, um fazendeiro da pequena cidade de Uruaçu, que fica na região Centro-Oeste do país. “Este pode ser um novo início para os produtores rurais daqui.”
 
O acordo de US$ 7 bilhões assinado no mês passado –para produção de 6 milhões de toneladas de soja por ano– é um dos vários fechados nas últimas semanas, enquanto a China se apressa para assegurar sua segurança alimentar e compensar sua crescente dependência de produtos agrícolas dos Estados Unidos, buscando vastas áreas do interior agrícola da América Latina.
 
Enquanto o Brasil, Argentina e outros países buscam impor limites às compras de terras produtivas por estrangeiros, os chineses estão buscando controlar mais diretamente a produção, levando o fervor de seu país por autossuficiência agrícola para o exterior.
 
“Eles estão entrando”, disse Carlo Lovatelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais. “Eles estão procurando por terras, procurando por parceiros confiáveis. Mas o que eles gostariam é de poder comandar o show sozinhos.”
 
Apesar de muitos apreciarem os investimentos, a iniciativa agressiva ocorre enquanto as autoridades brasileiras começam a questionar a “parceria estratégica” com a China, encorajada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os chineses se tornaram tão importantes para a economia do Brasil que o país não pode mais ficar sem eles –e isso é precisamente o que está deixando o Brasil cada vez mais incomodado.
 
“De uma coisa o mundo pode ter certeza: não tem volta”, disse Lula ao visitar Pequim em 2009.
 
A China se tornou o maior parceiro comercial do Brasil, comprando volumes cada vez maiores de soja e minério de ferro, e investindo bilhões no setor de energia brasileiro. A demanda ajudou a alimentar um boom econômico aqui que retirou mais de 20 milhões de brasileiros da pobreza extrema e trouxe estabilidade econômica a um país acostumado a crises periódicas.
 
Mas alguns especialistas dizem que a parceria se transformou em um relacionamento neocolonial clássico, no qual a China tem a vantagem. Quase 84% das exportações do Brasil para a China no ano passado foram de matérias-primas, em comparação a 68% em 2000. Mas aproximadamente 98% das exportações da China para o Brasil são de produtos manufaturados –incluindo os mais recentes carros de baixo preço para a crescente classe média brasileira– que estão minando o setor industrial do Brasil.
 
“O relacionamento tem sido muito desequilibrado”, disse Rubens Ricupero, um ex-diplomata brasileiro e ex-ministro da Fazenda. “Há uma clara falta de estratégia no lado brasileiro.”
 
Em sua visita à China no mês passado, a nova presidente do Brasil, Dilma Rousseff, enfatizou a necessidade de venda de produtos de maior valor para a China e de uma reaproximação com os Estados Unidos. “Não é por acaso que há uma espécie de esforço para reavaliar o relacionamento com os Estados Unidos”, disse Paulo Sotero, diretor do Instituto Brasil do Centro Internacional Woodrow Wilson para Acadêmicos. “A China expôs as vulnerabilidades do Brasil mais do que qualquer outro país no mundo.”
 
As tentativas do China de comprar terras deixaram as autoridades nervosas. Em agosto do ano passado, Luis Inácio Adams, o advogado-geral da União, reinterpretou uma lei de 1971, tornando significativamente mais difícil para os estrangeiros comprarem terras no Brasil. A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, seguiu o exemplo no mês passado, enviando ao Congresso uma lei limitando o tamanho e concentração de terras rurais que os estrangeiros podem possuir.
 
Adams disse que sua decisão não foi resultado direto da compra de terras pela China, mas notou que imensas “aquisições de terras” na América Latina e na África sub-Saara, incluindo a tentativa da China de arrendar em torno de 1 milhão de hectares nas Filipinas, alarmaram as autoridades brasileiras.
 
“Nada impede que investimentos aconteçam, mas serão regulamentados”, disse Adams.
 
Um estudo do Banco Mundial, do ano passado, disse que a volatilidade dos preços dos alimentos provocou um aumento das compras em grande escala de terras agrícolas nos países em desenvolvimento, e que a China estava entre um pequeno grupo de países realizando grande parte das compras. Estrangeiros são donos de estimados 11% das terras produtivas na Argentina, segundo a Federação de Agricultura da Argentina. No Brasil, um estudo do governo estimou que os estrangeiros são proprietários de terras equivalentes a aproximadamente 20% do Estado de São Paulo.
 
Investidores estrangeiros criticaram as restrições. Pelo menos US$ 15 bilhões em projetos agrícolas e de preservação florestal no Brasil foram suspensos desde a imposição de limites pelo governo, segundo a Agroconsult, uma consultoria agrícola brasileira.
 
“O endurecimento para compra de terras por estrangeiros é realmente um retrocesso para a mentalidade jurássica do nacionalismo contraproducente”, disse Charles Tang, presidente da Câmara de Comércio Brasil-China, dizendo que produtores rurais americanos compraram áreas consideráveis no Brasil nos últimos anos, causando pouco alvoroço.
 
Em resposta às críticas, o ministro da Agricultura do Brasil disse neste mês que o Brasil poderia começar a arrendar terras para estrangeiros, dadas as barreiras à propriedade.
 
A própria China não permite a propriedade privada de terras produtivas e alertou os governos locais contra a concessão em grande escala ou arrendamentos a longo prazo para empresas em uma diretriz de 2001. A China também proíbe empresas estrangeiras de comprarem minas e campos de petróleo.
 
Mas à medida que mais pessoas consomem carne, a China deverá aumentar sua importação de soja, principalmente para ração animal, em mais de 50% até 2020, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. No mês passado, a Chongqing Grains assinou um acordo de US$ 2,5 bilhões para produção de soja no Estado brasileiro da Bahia. Em outubro do ano passado, um grupo chinês concordou em desenvolver aproximadamente 200 mil hectares de terras agrícolas na Província de Rio Negro, na Argentina.
 
Em ambos os casos, as autoridades chinesas propuseram a compra de grandes áreas de terras antes das autoridades locais as convencerem a optarem pelos acordos de produção.
 
“Nós nunca venderemos a terra”, disse Juan Manuel Accatino, o secretário da Produção de Rio Negro.
 
Brian Willott, um fazendeiro americano que chegou no Brasil em 2003, disse que o interesse chinês pela compra de fazendas não diminuiu. “Em toda parte que você procura uma fazenda eles dizem: ‘nós estamos pensando em vender para os chineses’”, ele disse.
 
No Estado de Goiás, quase 70% da soja cultivada foi para a China no ano passado, e os chineses pretendem usar aproximadamente 8 milhões de hectares de pastos que não são cultivados há décadas.
 
“Para eles, quanto mais rápido, melhor”, disse Antônio de Lima, o secretário da Agricultura de Goiás.
 
Os produtores rurais daqui dizem que compartilham a meta das autoridades chinesas de quebrar o domínio das traders internacionais de commodities agrícolas como Cargill e Archer Daniels Midland.
 
Mas Tan Lin, um gerente da empresa chinesa envolvida em Goiás, disse que duvida que as empresas chinesas estejam prontas para ocuparem o lugar delas.
 
“Eu não acho que as empresas chinesas que trabalham aqui já tenham experiência”, disse Tan. Mas “se fosse possível fazer isso, seria bom, é claro”.
 
Myrna Domit, em São Paulo, Charles Newbery, em Buenos Aires (Argentina), David Barboza, em Xangai (China), e Keith Bradsher, em Hong Kong (China), contribuíram com reportagem.

domingo, 22 de maio de 2011

Carga de Cavalaria no 20º Regimento de Cavalaria Blindado (2011)



Por Luiz Eduardo Silva Parreira


O 20º RCB (Regimento de Cavalaria Blindado) é hoje a "casa dos M-60" do Exército Brasileiro. Unidade de pronto emprego do Comando Militar do Oeste (CMO), seus homens são constantemente motivados e treinados, fazendo dessa OM uma das "ilhas de excelência" do Exército no Brasil. Faz de tudo e em qualquer condições (sempre dentro dos parâmetros de profissionalismo e segurança), o que fez com que - informalmente - alguns de seus ex-integrantes se refiram ao Regimento como o "20 du soeil", em alusão ao Cirque du Soleil, no qual os artistas fazem malabarismos quase inacreditáveis, mas cumprem a missão!

No dia da comemoração ao Dia da Cavalaria de 2011, em 14/05 (em alusão ao natalício do Patrono da Arma de cavalaria do Exército Brasileiro, Marechal Osório, 10/05), o 20º RCB outra vez surpreendeu. Numa festa muito bem organizada, fez a entrega da boina preta aos novos combatentes blindados; demonstrações e encerrou a cerimônia com uma carga de cavalaria, com contingente hipomóvel, mecanizado e blindado (viaturas Land Rover, Marruá, M-60, Cascavel, Urutu e M-113), além de aeronaves do 3º BAVEx (HA-1 e HM-1)!

Excelente!

Dia da Cavalaria 2011 - 20º Regimento de Cavalaria Blindado.
Campo Grande, MS.

Fotografia da Carga de Cavalaria do 20 RCB, em 2011.
Foto: Ten. Leão (o cavalariano a direita do homem com a bandeira).


Historicamente:

"A última grande carga de cavalaria do Exército Brasileiro, num conflito externo, foi realizada pela 4ª Brigada de Cavalaria no final da Guerra do Paraguai (1865-1870), na fase denominada “Campanha das Cordilheiras", na batalha de Campo Grande (ou Acosta–Nhú, ou ainda Nhú–Guazú como a chamam os paraguaios) travada em 16 de agosto de 1869.

Após a batalha de Peribebuy, o Exército Brasileiro, sob o comando do Conde d’Eu, parte em perseguição do Exército Paraguaio, em direção a Caraguatay, no nordeste do Pa-raguai, em busca de uma batalha campal onde pudesse aniquilar o inimigo e por fim à guerra.

Pela estrada de Caacupé–Caraguatay marcha o grosso do Exército Brasileiro, integrado pelo 1º Corpo de Exército do Gen. José Luís Mena Barreto e pela 3ª Divisão de Cavalaria do Cel. Vasco Alves, sob o comando do próprio Conde d’Eu. Realizando um amplo movimento pelo flanco direito, numa perseguição paralela à do 1º Corpo de Exército e a cavaleiro da estrada Barrero Grande–Caraguaty, marcha o 2º Corpo de Exército do Gen. Vitorino, procurando cortar a retaguarda do inimigo.

Por volta das 08:00 h do dia 16 de agosto de 1869, a vanguarda do 1º Corpo de Exército choca-se com o 2º Corpo deExército paraguaio do General Bernardino Caballero, forte de 6.000 homens, num vasto campo denominado Nhu–Guazú.

O 1º Corpo de Exército brasileiro, após reconhecer o dispositivo inimigo e desdobrar suas forças, lança-se ao combate, empregando sobre o centro paraguaio a sua infantaria, protegida em seus flancos pela cavalaria. O inimigo recua, batendo-se em retirada, ofere-cendo tenaz resistência, sem perder, contudo, sua formatura nem deixar de responder com sua artilharia.

Pouco depois das 08:00 h, o 2º Corpo de Exército brasileiro atinge a região onde se juntam as estradas Caacupé–Caraguaty e Barrero Grande–Caraguaty. Sua vanguarda choca-se com um destacamento paraguaio que protegia o flanco da força principal inimiga. Após breve combate os paraguaios são forçados a retroceder em direção a Nhu-Guazú.

Por volta das 10:00 h o 2º Corpo de Exército brasileiro apresenta-se no campo de batalha de Campo Grande, incidindo no flanco do grosso paraguaio. O Gen. Vitorino lança parte de suas forças num movimento desbordante, procurando atingir a retaguarda do inimigo e cortar a retirada paraguaia.

Ao pressentir a chegada do 2º Corpo de Exército brasileiro e percebendo o movimento que este fazia para cercá-lo, o General Caballero, fazendo um último e supremo esforço, decide lançar sua reserva no combate, no intento de liberar a estrada para Caraguaty e permitir a retirada do Exército Paraguaio. O furioso e derradeiro contra-ataque do inimigo choca-se com o destacamento do General Mallet (do 2º C. Ex.) integrado pela 1ª Brigada de Cavalaria e pela Brigada de Infantaria Resin, apoiado por oito canhões.

Neste momento, por volta das 12:00 h, a 4ª Brigada de Cavalaria (2º C. Ex.), sob o comando do Cel. Hipólito Ribeiro, integrada pelo 10º Corpo de Cavalaria do Ten-Cel Chagas e pelo 24º Corpo de Cavalaria do Ten-Cel Isidoro, forte de 600 homens, havia transposto o córrego Peribebuy e colocara-se à esquerda do destacamento do Gen. Mallet, que recebia o impacto do contra-ataque paraguaio. O Cel. Hipólito Ribeiro, percebendo a posição vantajosa de sua brigada e procurando aproveitar a oportunidade que se apresentava, conduz a 4ª Brigada de Cavalaria em uma violenta carga contra a retaguarda paraguaia, destroçando o contra-ataque inimigo e aniquilando o último esforço do Gen. Caballero, contribuindo, assim, decisivamente para o final da batalha.

O General Dionísio Cerqueira, que participou da campanha como alferes e tenente e foi testemunha ocular da carga da 4ª Brigada de Cavalaria na batalha de Campo Grande. Em seu livro “Reminiscências da Campanha do Paraguai”, narra com detalhes este fato: 


Batalha de Campo Grande. Quadro de Pedro Américo (1877).


"Tiroteávamos cerrado, quando vi o bravo Alferes Firmino entusiasmado dando vivas ao Coronel Hipólito. Era uma brigada decavalaria, que transpunha o passo, comandada pelo heróico chefe. Avançava na frente o piquete do príncipe, com o Capitão João Teles, seu comandante.

Era de arrebatar! Aquela força magnificamente montada, avançava a galope sobre as linhas paraguaias, que se uniram e foram rapidamente apoiadas por uma grossa coluna cerrada, que surgiu de trás de um capão e não formou quadrado.

Do galope à carga foi um momento.

Fuzilávamos os paraguaios quase de flanco. Ao lado do Teles, ia, firme nos estribos, revoluteando a lança, um cabo do piquete. Que valente! Vi-o meter as esporas no cavalo e, com um salto enorme, penetrar naquela massa eriçada debaionetas. Ainda deu duas lan-çadas e sumiu-se. Após a carga, os esquadrões voltaram a formar-se. Nesse momento, os paraguaios investiram a baioneta sobre os nossos cavaleiros, que ganharam distância e voltaram a carregar".

Com o desastre do contra-ataque da reserva, os remanescentes do 2º Corpo de E-xército paraguaio põem-se em fuga desordenadamente, sendo completamente destruídos pelos brasileiros. O Exército paraguaio deixou no campo de batalha cerca de 2.000 mortos, 1.500 feridos, 100 extraviados, vinte e três canhões e seis bandeiras.

Na batalha de Campo Grande ocorreu o aniquilamento do Exército Paraguaio. Encerrado o combate, o Exército Brasileiro reiniciou sua perseguição ao Marechal Lopes, presidente paraguaio, travando pequenos combates, até que em 1º de marçode 1870, consegue cercá-lo e destruí-lo no combate de Aquidaban ou Cerro – Corá, encerrando a longa guerra.

O 10º e 24º Corpos de Cavalaria da 4ª Brigada de Cavalaria pertenciam à Guarda Nacional do Rio Grande do Sul (Reserva ou 2ª Linha do Exército Brasileiro), instituição criada pela Regência, que prestou relevantes serviços ao País até o início da República. Seus integrantes usavam, em sua grande maioria, trajes gauchescos; poucos tinham o fardamento regulamentar. Os oficiais eram armados revolver Nagant e as praças de pistola. Todos usavam espadas e lanças.

Em determinada passagem de seu livro “Reminiscências da Campanha do Paraguai, o General Dionísio Cerqueira assim descreve uma tropa da Guarda Nacional do Rio Grande:


"Quando me fui postar à frente do meu contingente, aproximava-se da casa uma força de cavalaria da guarda nacional do Rio Grande. Montavam todos a brida, com as pernas estendidas e a ponta do pé apenas tocando o estribo. Fizeram alto e apearam. Havia oficiais, inferiores e soldados. Alguns tinham barbas longas que lhes desciam até o peito e cabelos trançados que chegavam quase à cintura. 


Seu guisamento era digno de nota: longas adagas de fortes punhos com virotes em cruz e bainhas de prata lavrada; pesadas chilenas também de prata, com tão longos copetes que lhe chegavam aos artelhos, e cossouros de tal diâmetro que lhes dificultavam a marcha; chapéu de feltro de abas estreitas, cobertos de ganga vermelha e presos por barbicachos de borla à ponta do nariz; bombachas vermelhas ou negras e ponches de bicunha de cores vivas ou de outros estofos bordados a seda e agaloados; espadas de ferradura, com três dedos de largura; lanças imensas de conto de prata ou aço polido, de choupa longa e brilhante, com galhos direitos ou em meia-lua invertidas, os cornos pontiagudos voltados para cima e para baixo, que mais pareciam lâminas de corseques e parta sanas alemães; um par de pistolas à cinta, na pistoleira, que era a larga guaiaca, espécie de balteo coberto de chaparias e moedas, onde guardavam onças e libras de ouro, patacões e bolivianos deprata. Os cavalos tinham as crinas tosadas em cogotilho e as colas atadas. Cada um tinha em cima um montão de prataria lavrada. 


As cabeçadas com grandes meias-luas nas testeiras; as rédeas de bomba ou passadores chatos ou esféricos; as bridas de fortes caibas, florões e copas, os largos fiadores de chapas ou filigranas, os buçais, os cabrestos, as cabeças dos serigotes, os estribos do século dezesseis, de grande picaria com longos bocais cilíndricos ou faceados, as cantoneiras das caronas de pele de tigre, os rabichos e os peitorais; tudo era de fina prata lisa ou cinzelada. Sobre os lombilhos e serigotes, pelegos negros cobertos por uma badana e sobrecincha de couro de lontra, de veado ou cinchões escarlates bordados e frangeados. Todos tinham boleadeiras, umas de marfim, outras de ferro retovadas de couro, presas debaixo dos pelegos do lado da garupa. Em muitos, viam-se laços trançados presos a cinchador por um tento de lonca. Poucos traziam pendurados na argola da sugigola ou no peitoral a chaleirinha do mate. 


Era um quadro pitoresco. Havia altos e robustos, claros, de olhos azuis e cabelos a-lourados; outros morenos, musculosos,de cabeleiras negras e lisas e barba rarefeita; alguns de lábios grossos, dentes alvos, maçãs do rosto salientes, nariz achatado e cabelos cache-ados caindo sobre os ombros. “Um ou outro negro.” Após a Batalha de Campo Grande a cavalaria participou de pequenos combates e escaramuças, onde foram envolvidos efetivos inferiores a esquadrão. Pela natureza do ter-reno e dos combates que se travaram no final da guerra, os Regimentos e Corpos Provisórios não puderam mais ser empregados como um todo, não tendo oportunidade de realizar as cargas vibrantes e arrojadas que caracterizaram suas ações em toda a campanha (...)". 

A carga da 4ª Brigada de Cavalaria, no final da batalha de Campo Grande, constitui-se, assim, em fato memorável para a Arma de Cavalaria, pois foi a última vez que forças a cavalo do Exército Brasileiro, com efetivo superior a esquadrão, realizaram uma carga de cavalaria, influindo decisivamente num combate de grandes proporções.

Fonte: De cavalaria.com


Atualização em 25/08/2011 - Dia do Soldado

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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Perfil do poder – qualquer um pode se tornar um ditador?



por Natasha Romanzoti em 14.02.2011


Uma pesquisa mostrou que ditadores sádicos famosos, como Saddam Hussein e Joseph Stalin, tinham um perfil de personalidade marcado pelo narcisismo e paranóia. Mas o que os ditadores autoritários têm em comum? E esse perfil poderia ser um indicador de um novo déspota? Poderia qualquer pessoa se tornar um?

Não do dia para a noite, mas pesquisas psicológicas já provaram que o poder de fato tem um efeito sobre a psique. O exemplo mais famoso é do Experimento da Prisão de Stanford em 1971.

Nele, alunos foram divididos aleatoriamente para serem “presos” ou “guardas”, em uma prisão improvisada. Os guardas se tornaram tão abusivos e os prisioneiros tão passivos que o experimento foi encerrado menos de uma semana depois.

Tipos mais mundanos de poder também podem influenciar comportamentos. Um estudo de 2010 descobriu que as pessoas condicionadas a pensarem em si como bem sucedidas são piores em ler as emoções de outras pessoas do que as condicionadas a pensar em si como pobres.

Segundo os cientistas, a razão para isso pode ser que as pessoas sem muito poder têm mais necessidade de construir alianças com outros para sobreviver. Os mais bem sucedidos, por outro lado, podem fazer o que bem entenderem.

O poder pode cegar as pessoas do ambiente social. Elas passam a não ter uma compreensão clara da importância de condições sociais como a pobreza. O poder também torna as pessoas mais impulsivas e egoístas, e seu comportamento mais inadequado.

Além disso, pesquisas mostram que o poder pode isolar as pessoas. Um estudo de 2006 pediu aos participantes que desenhassem a letra “E” em sua testa. Primeiro, porém, os voluntários foram condicionados a pensar em si como mais ou menos poderosos. O grupo mais poderoso tinha três vezes mais chances de desenhar o “E” em sua testa de forma que seria lido ao contrário pelos outros. A implicação, segundo os pesquisadores, é que as pessoas poderosas se tornam mais auto-orientadas e se importam menos com as perspectivas dos outros.

Outra pesquisa de 2009 descobriu que as pessoas treinadas para pensar em si como poderosas eram mais propensas a acreditar que tinham controle sobre uma situação, mesmo que isso fosse uma atividade aleatória, como jogar dados.

Junte tudo e você tem a receita perfeita para a tirania: o gosto do poder, parar de observar ou ouvir os outros e, finalmente, começar a acreditar que você está no comando de eventos aleatórios.

Ainda assim, os estudiosos dizem que o poder não é de todo ruim – e nem de todo bom. A pesquisa sugere que o poder dá às pessoas a confiança nas crenças que elas já possuem, por exemplo.

Em 2007, um estudo pediu aos participantes para escreverem pensamentos positivos ou negativos e depois os levou a se sentirem mais poderosos. Aqueles que escreveram pensamentos positivos tornaram-se mais positivos, e os que tinham pensamentos obscuros tornaram-se mais negativos. A conclusão é que o poder amplia o que está na cabeça das pessoas; por isso, pessoas poderosas podem fazer mais bem ou fazer mais mal. E isso já é imprevisível. [LiveScience]

Fonte: 

terça-feira, 10 de maio de 2011

Navy SEALs: o grupamento que eliminou Bin Laden!

por Luiz Eduardo Silva Parreira

Para quem acompanha as forças de elite do mundo, os Navy SEALs (Sea-Air-Land) sempre impuseram respeito. Porém, após sua atuação no ataque que eliminou Bin Laden, em 2011, a população em geral passou a conhecer essa tropa super-treinada.

Já há alguns anos fez-se um compêndio de cenas de uma série do Discovery Channel sobre os Navy SEALs, onde se pretendeu demonstrar algumas técnicas, armamentos, veículos, fardamento, equipamentos, enfim, toda gama de apetrechos que um SEAL usava e que se deixava filmar (até aquela época ;-).

Vê-se que não há ambiente no planeta que esses militares não possam lutar (e mui bem equipados!): de uma floresta tropical ao gelo ártico. E como se mostrou agora com a morte de Osama Bin Laden, se os EUA enviarem os SEALs para "buscarem" alguém, a morte dessa pessoa é questão de tempo ...


The Navy SEAL tribute

Se ficou interessado, há vagas na Marinha dos EUA para Aviation Rescue Swimmer, que é um passo para poder tentar entrar nos SEAL ;-) E ai, vai encarar? Why not? Eis o link: http://www.navy.com/careers/special-operations/air-rescue.html


Sobre o documentário, é o U.S. Navy SEAL - Direct Action (2000) . Sinopse: "Direct Action revolves around the SEALs military role working with conventional main force units in peacekeeping missions in Europe and the Near East. Witness a live fire direct attack by a SEAL platoon on a suspected enemy missile site, three different visual scenarios on rescuing prisoners from foreign enemies and terrorists, including a pilot rescue re-enactment in a mock Yugoslavian town by sniper teams and a squad patrolling nearby. These rescues include extractions under live fire conditions. Program also contains interviews with SEALs including a return (by popular demand) of a weapons expert who will explain and demonstrate the latest weapons employed by US Navy SEALS."